segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Todo dia ela faz tudo sempre igual..."

Sem pressa, sem ânimo, sem consciência de que essa vida cíclica é um fardo que nós, humanos, carregamos desde o primeiro minuto de vida.
Por mais amargo que seja, todo dissabor costuma ser um tanto enriquecedor para esse teatro que demos o nome de "vida", afinal, só se aprende a viver, vivendo. E toda experiência é válida para servir de entretenimento e motivo para boas risadas num futuro próximo (ou longínquo) - desde que haja olhos atentos e ouvidos abertos para compreender a narração saudosa de um capítulo real gravado na memória.
E é doce o sentimentalismo, esse invólucro superficial que ocupa a lembrança. Porque só se lembra daquilo que merece, que teve importância, que adquiriu valor, que significou. E ainda que tenha sido doloroso, a memória é geralmente resgatada acompanhada do sentimento de saudade, se não do fato vivido, ao menos do tempo que passou e que não mais voltará. Se não das palavras ditas, ao menos dos dias de juventude que rapidamente passaram, intensamente marcaram e muito definiu.
E fazendo tudo igual, pensando de maneira sempre parecida, sabemos que o pouco que mudou é sempre o vestígio de que caminhamos progressivamente, e a felicidade, ah... não buscamos, não caminhamos em busca dela... A felicidade não é o objetivo, ela é o nosso estado de espírito, como caminhamos e vemos a vida!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

2011.

Vinte e um dias já se passaram deste ano que começou. Na verdade ele apenas apareceu pra dar um "olá!", mas ainda não expulsou os resquícios de 2010, não limpou a sujeira varrida pra debaixo do tapete, ainda não mudou os móveis de lugar. Não se mudou, não se instalou.
Ainda estou vivendo 2011 com cheirinho de ano passado, na expectativa de que o ano novo seja melhor do que o velho e que essa esperança seja eterna, em todos os finais de ciclo. Desejar o melhor é acreditar que ainda não alcançamos o êxtase, que devemos sonhar e jamais se acomodar!
Como sempre, tenho para mim que boas novas virão, e virão pra marcar este ano ímpar - figura e literalmente - nas boas recordações da memória.
Quero mesmo que as mágoas passadas se esvaiam, que o coração apertado vista-se de forma despojada e confortável.
Que 2011 seja enriquecedor a mim e a você.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poema - Ney Matogrosso

"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás"

sábado, 30 de outubro de 2010

Vazio.

Hoje a minha vontade é de sumir. Mergulhar na escuridão e ali ficar, inerte, inconsciente, imóvel. Descontar ali meus infortúnios, vomitar as larvas da solidão que traz tanta angústia e tanto sofrer e exprimir este grito num eco profundo a ponto de estourar os tímpanos de quem o ouvir.
Cansei. Cansei de poupar desapontamentos, suprimir agruras, engolir desafetos.
Cansei de sorrir tendo o coração em pedaços. Ardendo. Gritando.
Desisto. Desisto de manter o que seria bom. De fingir me importar e tentar sempre amparar.
Almejo. Mudanças.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Desejos...

Eu quero aquilo que me faz bem, que me faz sorrir. Quero paz interior, quero amor, quero amar.
Quero boas novas, quero novas. Felicidade espontânea, surpresas agradáveis, sonhar. Realizar sonhos.
Quero abraço apertado, beijo estalado, receber presentes, presentear. Quero dançar ao som dos pássaros, subir até as nuvens e voar. Quero viajar e me encantar com o mundo.
Desejo ter bons amigos, companheirismo, um amor pra vida toda. Desejo saúde na vida e uma memória infalível pra mentalmente tudo fotografar.
Desejo compreensão dos outros, pois ser feliz é um direito (e isso para todos). Mais ainda: desejo poder auxiliar na realização do sonho alheio!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ah, o ciclo da vida...

Apesar de acreditar e frequentemente lembrar da existência da vida cíclica, sempre acabo me surpreendendo quando me deparo com situações semelhantes às já vividas ou quando preciso formular um (pré)julgamento sobre algum ocorrido.
As surpresas tem sido muitas ultimamente. Surpresas boas, diga-se de passagem. Surpresas que tem posto em dúvida algumas afirmações que há pouco eu fazia convictamente e hoje, vejo-as de maneira cética.
Confesso que muitas delas - as afirmações - podem ser consideradas valores, mas prefiro não me aprofundar em conceitos teóricos e/ou definições, simplesmente para não criar a impressão de que tenho excessivas tendências racionais.
Cada ação, cada atitude, cada palavra dita já tem exigido tanta racionalidade, tanta concentração e discernimento, que talvez um pouco de impulsividade ao escrever torne o texto um pouco mais espontâneo e próximo da realidade.
Ainda há muito para ser pensado, para ser refletido, decidido, moderado. Ainda há tanto para ser curado, transpassado e superado que o tempo precisa ser muito paciente, insistente e dedicado para dar conta de todos os afazeres.
Mas ouvi dizer que ele não falha e já faz um tempinho (ah, olha ele aí) que tenho me relacionado com ele - o tempo - de maneira íntima. Conheço seu peso, suas impressões, conheço a intensidade com que marca a vida das pessoas. Conheço o senhor Tempo de longa data e trago-o cravado nas costas, pra todo lugar.
"Não falhe comigo." E isto é uma súplica.

Conversa de botas batidas...

"(...)

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem.

(...)"