segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mudanças simplesmente acontecem. E nem sempre elas são benéficas. Às vezes elas surgem simplesmente para adequar à realidade aquele (ou aquilo) na qual se aplica. Às vezes ela surge apenas para mascarar a realidade àquele (ou àquilo) na qual se aplica.
Mudanças, em sua maioria, são conseqüências, inconseqüentes, impensadas, irracionais. E lidar com isso é pior do que se imagina.
Elas surgem mudas, silenciosas, de maneira misteriosa e avassaladora. Causam o rebuliço, tiram tudo fora do lugar, bagunçam, sujam, quebram, para depois de causada a desordem, deixar como conseqüência as barbáries sociais, os buracos psicológicos, os vácuos emocionais.
Mas voltam, elas sempre voltam. Quando tudo estiver (re)organizado, elas aparecem como um furacão, pra fazer surpresa à falsa estabilidade momentânea.
Dicotômica. A vida, ela é dicotômica.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ela.
Que de tanto descansar, acordou.
Que de tanto deitar, caminhou.
Que de tanto insistir, desistiu.
Que de tanto temer, enfrentou.
Que de tanto esconder, arriscou.
Que de tanto chorar, sorriu.
Que de tanto balançar, sentou.
Que de tanto agitar, acalmou.
Que de tanto receber, reagiu.
Ela.
Só ela.
Que pagou sem dever.
Que contribuiu sem precisar.
Que despencou sem carregar.
Que falou sem perceber.
Que dançou sem embalar.
Que acreditou sem sonhar.
Que ouviu sem merecer.
Que saiu sem caminhar.
Que viveu sem pensar.
E assim, ela
Sofreu,
Caminhou,
Aprendeu,
Sorriu,
Esqueceu,
Chorou,
Cedeu,
Confortou,
Partiu,
Voltou,
Morreu.

sábado, 26 de março de 2011

Ah, desalinho...

E essa vida toda torta, cheia de curvas, declives e buracos?
E essa consciência esmagadora e acusativa, que a cada minuto retoma um dos questionamentos que por ora pensei ter esquecido?
E essa insatisfação duradoura que perdura ainda que tudo esteja fluindo positivamente?
Por que tanta racionalidade? Pra quê tanta reflexão?
As respostas, ah!... as respostas! Elas existem?
É viver tentando explicar o inexplicável, racionalizar a subjetividade, definir o impossível... é viver dando murros em ponta de faca, tentando descobrir o caminho que conduz à felicidade com medo de se arriscar e se perder.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Todo dia ela faz tudo sempre igual..."

Sem pressa, sem ânimo, sem consciência de que essa vida cíclica é um fardo que nós, humanos, carregamos desde o primeiro minuto de vida.
Por mais amargo que seja, todo dissabor costuma ser um tanto enriquecedor para esse teatro que demos o nome de "vida", afinal, só se aprende a viver, vivendo. E toda experiência é válida para servir de entretenimento e motivo para boas risadas num futuro próximo (ou longínquo) - desde que haja olhos atentos e ouvidos abertos para compreender a narração saudosa de um capítulo real gravado na memória.
E é doce o sentimentalismo, esse invólucro superficial que ocupa a lembrança. Porque só se lembra daquilo que merece, que teve importância, que adquiriu valor, que significou. E ainda que tenha sido doloroso, a memória é geralmente resgatada acompanhada do sentimento de saudade, se não do fato vivido, ao menos do tempo que passou e que não mais voltará. Se não das palavras ditas, ao menos dos dias de juventude que rapidamente passaram, intensamente marcaram e muito definiu.
E fazendo tudo igual, pensando de maneira sempre parecida, sabemos que o pouco que mudou é sempre o vestígio de que caminhamos progressivamente, e a felicidade, ah... não buscamos, não caminhamos em busca dela... A felicidade não é o objetivo, ela é o nosso estado de espírito, como caminhamos e vemos a vida!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

2011.

Vinte e um dias já se passaram deste ano que começou. Na verdade ele apenas apareceu pra dar um "olá!", mas ainda não expulsou os resquícios de 2010, não limpou a sujeira varrida pra debaixo do tapete, ainda não mudou os móveis de lugar. Não se mudou, não se instalou.
Ainda estou vivendo 2011 com cheirinho de ano passado, na expectativa de que o ano novo seja melhor do que o velho e que essa esperança seja eterna, em todos os finais de ciclo. Desejar o melhor é acreditar que ainda não alcançamos o êxtase, que devemos sonhar e jamais se acomodar!
Como sempre, tenho para mim que boas novas virão, e virão pra marcar este ano ímpar - figura e literalmente - nas boas recordações da memória.
Quero mesmo que as mágoas passadas se esvaiam, que o coração apertado vista-se de forma despojada e confortável.
Que 2011 seja enriquecedor a mim e a você.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poema - Ney Matogrosso

"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás"

sábado, 30 de outubro de 2010

Vazio.

Hoje a minha vontade é de sumir. Mergulhar na escuridão e ali ficar, inerte, inconsciente, imóvel. Descontar ali meus infortúnios, vomitar as larvas da solidão que traz tanta angústia e tanto sofrer e exprimir este grito num eco profundo a ponto de estourar os tímpanos de quem o ouvir.
Cansei. Cansei de poupar desapontamentos, suprimir agruras, engolir desafetos.
Cansei de sorrir tendo o coração em pedaços. Ardendo. Gritando.
Desisto. Desisto de manter o que seria bom. De fingir me importar e tentar sempre amparar.
Almejo. Mudanças.